
LEITE À LUPA
Ácido esteárico
O ácido esteárico (18:0) é um ácido gordo saturado que representa 9 a 14% da matéria gorda láctea.
Os ácidos gordos saturados são conhecidos por aumentarem o colesterol-LDL e serem potencialmente aterogénicos, mas nem todos os ácidos gordos saturados têm os mesmos efeitos.
O ácido esteárico é a excepção à regra! Não tem efeito sobre o colesterol total nem colesterol-LDL, pois é rapidamente convertido no organismo em ácido oleico, um ácido gordo monoinsaturado.
Esfingolípidos
Os esfingolípidos são formados a partir união da esfingosina e da ceramida. O leite é uma fonte importante de esfingolípidos (160 mol/Kg).
Para além da sua relevante presença estrutural no sistema nervoso central, os efeitos destes lípidos têm vindo a ser estudados. Estão documentados efeitos inibidores da carcinogénese, efeitos na redução do colesterol e dos triglicéridos e efeitos protectores de esteatose hepática.
Conjugados do ácido linoleico (CLA)
CLA é um termo colectivo para isómeros do ácido linoleico. Ocorrem, maioritariamente, na gordura dos ruminantes e são produzidos por hidrogenação, no rúmen, como intermediários da conversão 18:2 para 18:1.
As gorduras dos ruminantes são ricas nestas moléculas, bem como o leite que produzem.
Embora não comprovados, estão documentados para estas moléculas efeitos de alteração da composição corporal (aumento da massa magra e redução da massa gorda), modulação do sistema imunitário, diabetes, dislipidémias e aterosclerose.
Péptidos bioactivos
Os péptidos bioactivos são fragmentos proteicos que influenciam favoravelmente a saúde.
No leite as proteínas e péptidos bioactivos têm duas origens distintas: secreção das glândulas mamárias e proteólise durante a digestão, fermentação, etc. Os péptidos bioactivos podem actuar em vários sistemas do organismo, como o sistema cardiovascular, digestivo, imunitário e nervoso. Os pétptidos bioactivos de origem láctea são os mais estudados e estão documentados efeitos antimicrobianos, antioxidantes, antitrombóticos, antihipertensivos e imunomoduladores.
A actividade dos péptidos depende da composição e sequência de aminoácidos. O tamanho das sequências activas pode variar de 2 a 20 aminoácidos e muitos péptidos têm propriedades multifuncionais. Por exemplo: péptidos provenientes da sequência 60-70 da β-caseina mostraram actividades imunoestimuladoras e antihipertensivas.
A investigação em volta dos péptidos bioactivos tem evoluído positivamente, estabelecendo bases sólidas para a sua identificação. A evidência científica ao nível dos seus efeitos na saúde também é positiva, embora seja ainda insuficiente para estabelecer uma relação inequívoca entre os péptidos e respectivos efeitos funcionais.
Leite e pressão arterial
Existem evidências epidemiológicas que indicam que o consumo de produtos lácteos magros está associado à manutenção de uma pressão sanguínea saudável.
Sabemos que a alimentação e o estilo de vida têm um papel muito importante no controlo da pressão sanguínea. O Estudo de Rotterdam examinou a relação da ingestão de produtos lácteos e a incidência de hipertensão em 2245 indivíduos com 55 anos ou mais, durante o período de 6 anos. Os resultados do estudo mostraram que os produtos lácteos magros podem ter um papel na prevenção da hipertensão em indivíduos mais seniores.
O mecanismo de acção do leite para a regulação da pressão arterial continua por estabelecer. Poderá estar relacionado com os péptidos bioactivos nele presentes e/ou com a riqueza natural em minerais reguladores da pressão arterial, como o potássio.
Cálcio e Composição corporal
Vários estudos epidemiológicos demonstram uma relação inversa entre a ingestão de cálcio e o peso corporal. Dados epidemiológicos mostraram que os indivíduos adultos com elevado aporte de cálcio (sobretudo se este for de origem láctea), parecem apresentar menor prevalência de excesso de peso e obesidade. Outros estudos demonstram uma relação inversa entre a gordura abdominal e a ingestão deste mineral. Também se verificou que em homens e, sobretudo, mulheres com ingestão elevada de cálcio o IMC é significativamente inferior comparativamente aos indivíduos com ingestão moderada ou reduzida deste mineral. Outros autores constataram que o cálcio, especialmente de origem láctea, pode ajudar na redução ponderal e na manutenção do peso saudável quando em combinação com uma dieta hipocalórica sendo, portanto, favorável ao controlo do excesso de peso e obesidade.
O processo que está subjacente a estes efeitos parece assentar na acção do cálcio sobre o metabolismo das células que armazenam a gordura (adipócitos) nas quais estimula a utilização/degradação das gorduras armazenadas; havendo, simultaneamente, uma intervenção hormonal.
Os mecanismos de acção apontados para o efeito da ingestão de cálcio e controlo do peso são: aumento da oxidação lipídica, inibição da lipogénese e aumento da excreção lipídica.
Embora os estudos epidemiológicos sejam fortes na demonstração de uma associação entre cálcio e peso, por enquanto os ensaios clínicos randomizados não suportam esta hipótese, nem os mecanismos de acção propostos.